terça-feira, 26 de abril de 2011

O príncipe não é Luiz

Fomos passear nas ladeiras da Sé. Luiz queria bater fotografias. Diferente do que eu imaginara, para um primeiro e talvez único encontro Luiz me pareceu um rapaz sem preocupação com vaidade. Trajava a mesma bermuda e camiseta da foto do MSN e um chinelo de dedo. Um boné na cabeça que não me permitiu, até a despedida, conhecer de todo a sua silhueta. Unhas por cortar.
Pareceu-me desconfortável nos primeiros momentos. Evitava me olhar nos olhos e aquelas conversas interessantes do chat cederam espaço à um silêncio desconcertante. Deixei que minha espontaneidade conduzisse a situação e tomei conta da conversa como se fôssemos amigos de outrora. Sobe e desce ladeira, tratei o turista com simpatia e hospitalidade. Bati suas fotos, falei da cidade, contou-me um pouco de sua vida fora do Brasil. Em síntese, pude entrever naquelas palavras que aquele rapaz nada tinha a ver com o que eu construí a partir da conversa no chat. É possível uma amizade a partir de agora? Aprendi que é preciso primeiro conhecer. Não me pareceu tão sóbrio e maduro quanto antes. 
Deixei Luiz na porta. Não ligou pra saber se cheguei bem em casa. Era o mínimo de gentileza que poderia ter demonstrado. Não posso dizer que me arrependi, pois foi bom estar em Olinda e ver pessoas bonitas. Foi bom sair da rotina e, principalmente, realizar a vontade. O pior arrependimento é pelo que se deixou de fazer. Que bom que fiz, e agora posso dizer que Luiz não é alguém com quem me envolveria, e acredito que a recíproca seja verdadeira. As pessoas não são apenas conteúdo, são conteúdo e forma. O melhor é saber que não vou ficar idealizando e sonhando com Luiz. O príncipe não é Luiz. Talvez ele exista apenas na minha imaginação. 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Descoberta no chat

Somente e tão somente quando me sinto só entro em chats de bate papo, mas nunca ou quase nunca dou a sorte de encontrar alguém com preparo, discernimento e sem malícia para um bom papo. Então hoje eu resolvi chutar o pau da barraca e "escrachar" de vez. Levei, sem dó nem piedade, toda a minha libido enrustida para extravasar no chat, aventura inédita e desarrazoada, talvez, de uma garota que está cansada, mas muito cansada de ser mal resolvida na cama. 
"Sexo só no real", disse o primeiro a quem eu abordei. "Não tenho coragem" foi a minha resposta. 
- Então, sua "super corajosa", você não queria resolver o seu problema hoje????? (De mim, para mim mesma).
É, mas tem algo mais forte que exige que as coisas aconteçam em forma de conquista, paulatinamente. Besteira! Isso só dificulta as coisas. Mas não consigo, é assim!
Depois de escancarar frases que revelavam toda a minha explosão de libido,  por trás de toda aquela mesmice sem expressividade do chat, eis que se revela para mim um homem maduro, inteligente, educado, gentil, e o que é pior: (não, enganou-se quem pensou que o cara era gay) solteiro!!!!! 
Não podia ter eu acertado esse camarada de uma maneira mais recatada? Ôh, meu cupido, você não acerta uma???
Depois de longos debates sobre a carência humana, fomos para o MSN e lá descobri um pouco mais da sua sensibilidade. Depois de me desculpar, dizer que se enxergou em parte do todo que eu disse até aliviou a minha vergonha.
Luiz é o seu nome. Não é da minha cidade. Claro que não! Se fosse seria muito fácil e nada para mim é fácil!!!!!!!!!!
Conversamos horas, e na despedida trocamos telefones. Pouco depois chegou por mensagem uma poesia. 
Ahh, Luiz, pretendo embarcar nessa sua poesia, descortinar seus segredos e viver uma fantasia. 

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Quebra de rotina

A rotina foi quebrada por um telefonema. Por algumas horas abri mão da minha forçosa condição de estudante, mas pela qual sou grata ao Senhor de todas as boas obras, para atender ao chamado da necessidade. Necessidade esta a que todos estamos obrigados: a necessidade da sobrevivência. Lilia queria um projeto. Estive na obra com a cliente e encaminhei-lhe a minha proposta de honorários. Por alguns instantes de minha existência pude testemunhar aquela criatura tentando tirar vantagem sobre a profissional de arquitetura de quem pretendia se assessorar. 
Abre parênteses:
Não é à toa que busco novo horizonte. Deus, em sua infinita misericórdia, acolhe aqueles que Dele se socorrem.
Fecha parênteses.
A cliente silenciou. Seria indigna ao ponto de me dispensar tacitamente? Aguardar não faz parte do meu temperamento pró-ativo. Amanhã eu vou ligar!!!

sábado, 9 de abril de 2011

Concurseiros precisam estudar

O dia amanheceu com chuvas e trovoadas. "Desliga os aparelhos e não atende telefone!", bravejou a matriarca. O que deveria ter sido um dia de muita produção acadêmica transformou-se em um dia de muita preguiça. De certa forma precisava, depois de uma semana intensa de maratona de estudos. Do ponto de vista biológico, nada mais revigorador do cansaço mental que uma tarde de sono. Principalmente se essa tarde for de sábado. Não haverá culpa a amargurar. Melhor ainda se essa tarde de sábado for chuvosa, e como foi! Choooooooooo, trum! Trum! Trum! Valeu a intenção, garota, mas não repita isso muitas vezes. Concurseiros precisam estudar.